quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Latifúndio especulativo


     O filme é muito velho e o enredo tem o mesmo começo, meio e fim. As invasões são pacíficas, pois não encontram, inicialmente, nenhuma resistência por parte dos proprietários latifundiários invadidos. O filme começa assim: os invasores tomam as propriedades de latifundiários, constroem suas casas e dentro de alguns anos vira um bairro populoso, sem nenhum projeto de urbanização. Só depois que suas propriedades se transformam em bairros e se tornam mais valorizadas, os proprietários, espertamente, entram na Justiça com ação de reintegração de posse e culpam o poder público municipal de ser o responsável pelas invasões.
 
     Para não causar um caos social irreversível, o município, constrangido, foi sempre obrigado não só a pagar caro aos proprietários espertalhões pela desapropriação dos imóveis, como também a dotar os bairros de toda a onerosa infraestrutura urbana, como saneamento básico (água tratada e esgoto sanitário), calçamentos, passeios, iluminação pública, áreas verdes e de lazer, escolas, creches, postos de saúde.
 
     Foi dessa maneira que surgiram os novos bairros em Mariana como Santo Antonio (Prainha), Vila do Sapo, Santa Rita de Cássia, Cabanas, parte alta do Rosário, todos oriundos de invasões a latifúndios improdutivos, de propriedade dos maiores especuladores de terras no município.
    Atualmente, o surgimento de novos bairros improvisados - em áreas ociosas e de risco, usadas pelos proprietários para especulação imobiliária - ficou mais difícil.
 
    Depois de muitas audiências públicas realizadas com todas as organizações não governamentais, tais como instituições educacionais, culturais, artísticas, esportivas, cívicas e religiosas e a comunidade marianense em geral, o município de
Mariana elaborou o seu Plano Diretor que, posteriormente, foi aprovado no ano de 2001, por unanimidade, pela Câmara Municipal de Mariana. Esse Plano Diretor declarou todo o entorno de Mariana como área de preservação ambiental, histórica e arqueológica. Essa soberana e legítima decisão do povo marianense incomodou e desagradou os proprietários de terras improdutivas com interesses na lucrativa especulação imobiliária.
 
     Com seus interesses particulares contrariados, os latifundiários não querem perder tempo: nas eleições municipais deste ano, irão tentar assumir agora o comando político do município através do voto. Se eleitos, certamente irão tentar derrubar a lei que protege o Município dessa famigerada e lucrativa especulação imobiliária tão danosa aos interesses de Mariana e de sua gente.
 
     Esses latifúndios improdutivos, mas tão lucrativos para os latifundiários, realmente precisavam acabar, pois Mariana não tem mais condições de aguentar esse precoce inchaço populacional, que causa tanta violência social, como desemprego, miséria, fome e assédios sexuais; violência urbana como latrocínios, assassinatos, drogas, pedofilia, piorando assim a qualidade de vida dos marianenses.
 
     Mariana precisa crescer economicamente e não demograficamente. Precisa de mais empresas para gerar empregos para milhares de pessoas que já vivem aqui e estão desempregadas. O que adianta doar lotes e casas para todo mundo se não há emprego para todos? Como viver dignamente sem ter um emprego?
 
     Mariana não merece este castigo que começou na década de 40 e que ainda provoca, até hoje, tanto prejuízo social, econômico e financeiro ao município!

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