segunda-feira, 5 de maio de 2008

Lampiões voltam a Mariana*

De olho no título de Patrimônio Cultural da Humanidade, prefeitura substitui os fios e postes por luminárias antigas, com o objetivo de reduzir a poluição visual.

Gustavo Werneck


Conhecida como Rua dos Artistas, a Rua Dom Silvério será toda revitalizada, com melhorias nos passeios, troca do calçamento e instalação de rede subterrânea, hidrantes e câmeras de vigilância.
Mariana, primeira capital de Minas, dá um passo decisivo para se tornar patrimônio da humanidade, título já concedido pela Organização das Nações Unidas para a Ciência, Educação e Cultura (UNESCO) a Ouro Preto, Diamantina e à Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas. Para garantir mais fidelidade à paisagem original e valorizar os monumentos, começam, hoje, as obras de revitalização da Rua Dom Silvério, conhecida como “dos Artistas”, uma das principais do Centro Histórico. No trecho de quase mil metros, a prefeitura local vai gastar R$ 2 milhões na substituição da iluminação aérea pela subterrânea, iniciativa que vai garantir mais leveza, beleza e segurança para os moradores.
As obras integram o plano diretor e o projeto de requalificação urbanística e arquitetônica, do arquiteto Gustavo Penna, e vão durar dois meses, ficando prontas para as comemorações do aniversário da cidade, em 16 de julho. Considerada uma das vias públicas tradicionais da cidade, com seus casarões e igrejas do século 18, ateliês de artistas plásticos e residências das famílias mais antigas, a Dom Silvério vai passar por completa modificação. As intervenções, de acordo com informações da prefeitura, incluem retirada de cabos de eletrificação e de telefonia e dos postes, troca de partes do calçamento e dos passeios, além de instalação de oito hidrantes e câmeras de segurança. Um dos charmes será a instalação de lampiões na fachada das casas coloniais.
"A nossa intenção é fazer com que a rua, que abriga tão importante conjunto arquitetônico barroco, se torne mais atrativa para os turistas e melhore a qualidade de vida dos seus moradores", afirma o prefeito Celso Cota. Para não causar problemas à circulação de veículos, nem comprometer o acesso ao Hospital Monsenhor Horta, a uma escola e hotéis, a guarda municipal e funcionários do departamento municipal de trânsito vão atuar no local durante todo o período. Em reunião com a comunidade, o prefeito disse que o objetivo é despoluir visualmente a região e melhorar o trânsito, sem comprometer a estrutura das casas.
Moradora da Rua Dom Silvério há 30 anos, a historiadora Maria do Carmo Neme de Queiroz diz que o trabalho é “muito salutar”, pois valoriza a parte de maior relevância de Mariana, que fica a 115 quilômetros de Belo Horizonte. “Estamos muito satisfeitos e a nossa única preocupação é de que tudo saia dentro do prazo”, disse Maria do Carmo, que participou da reunião na prefeitura sobre a condução do projeto.
O escultor e entalhador Hélio Petrus Viana, que mantém o seu ateliê no local há 40 anos, aplaude a medida que vai livrar a rua da poluição visual em todos os aspectos, desde a Praça Minas Gerais, com as igrejas do Carmo e São Francisco e a sede da Câmara, passando pelo Colégio Providência e pela igreja da arquiconfraria de Nossa Senhora dos Anjos até chegar à de São Pedro dos Clérigos (1752).
As obras contemplam ainda os passeios, que serão recuperados, alinhados e padronizados com quartzito e a substituição do calçamento em paralelepípedo por seixo. "Toda intervenção em cidade histórica é delicada. E esta obra vai trazer desconforto aos moradores porque as
garagens não poderão ser usadas e nem os carros vão trafegar pela rua. Mas todos os departamentos da prefeitura estão envolvidos para amenizar os transtornos", afirmou o secretário municipal de Obras, Targino Guido.
A igreja de São Pedro dos Clérigos, uma das portas de entrada do Centro Histórico, terá o asfalto de seu entorno retirado e substituído por paralalepípedos. “As pedras antigas dos passeios, que forem retiradas, serão guardadas pelas famílias que moram em frente do trecho em serviço”, adianta a engenheira civil Fátima Guido, que é coordenadora do programa Monumenta/Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)/Mariana Histórica e integra a equipe da prefeitura que conduz o projeto de requalificação da cidade.
*Matéria extraida do jornal "Estado de Minas", de 05.05.2008.
Meu Comentário: Sinceramente, não entendi a razão de retirar pedras antigas dos passeios da Rua Dom Silvério e doá-las aos moradores. E nem entendi também por que trocar as pedras antigas dos passeios por pedras novas. Seria para "prestigiar" donos de pedreiras? Por que na Rua Direita, o mais importante casario colonial barroco de Mariana, não foram instalados também câmaras de segurança e hidrantes e nem restaurados os passeios?
Perguntar não ofende!

Um comentário:

Unknown disse...

eu karine e tia geralda estamos em campos do jordao estamo adorando a cidade apesar da chuva.Estamos bem foi o unico jeito de escrever para vc de noticias em casa pois nao teve jeito de ligar.Abracos.karinee tia geralda.